
"Fecho os olhos e o sono me carrega
Para profundas águas turbulentas de meu passado
Estou mergulhada na ansiedade causada por tua presença
Seleciono palavras enquanto você me lança num penhasco de indiferença
Tornando-se meu amante Carrasco com relação ao meu desejo
Me alimentando com sobras de seu próprio prazer
Mas tudo isso desaparece com sua ordem e não sei como "ficamos bem"
E, noutro momento já me vejo em repetição de datas e histórias
Estou debaixo de toneladas de rancor e desespero por você
Andando em círculos, indago respostas
Sem ter força para ouvi-las, ouço
Nem que seja apenas para cumprir com o seu roteiro de rapaz sincero
Por que ainda respira depois de tantos golpes?, será sua dúvida
Teu presente foi dar-me correntes com elos de incerteza, preso a carne de ilusão
Você me arrastou por distâncias que nem imagino
E, quando parou esmagou com suas mãos meus planos, bebeu minhas lágrimas
E sorriu ao me ver de joelhos implorando por amor
Neste jogo você deu as cartas o tempo todo, mas se saiu vitorioso?
Perdi muitas partidas de auto-estima por ter aceitado tuas regras
E, como numa virada de mesa, te vejo sumir pelo horizonte
À procura de novas peças para o teu tabuleiro de mentiras
Porém, não vai antes de depositar meus restos em alguma esquina
E, você tinha razão de me considerar morta, pois eu estava mesmo
O que veio depois não sei, a indescritível sensação me elevou a um outro nível
Quando parei e vi que estava de pé, cai
E luto padeceu sobre mim, visto estar eu enterrando uma menina
Que não mais existia,e junto com ela sua mágoa, pureza, lágrimas e ódio
Com o tempo presenciei seu renascimento e vi seu brilho se espalhar
Foi então que abri meus olhos e acordei
E, pude ver que certas coisas não mudam, logo as aceitamos como parte de nós
Mas se pudesse mudar não o faria, pois hoje quem escreveria estas palavras?
Alguém sem marcas da realidade e com um coração cheio de fantasias?
Portanto, deixo as cartas perdidas e pagas com sangue em seu lugar
E o modo como fazer um jogo diferente, este eu aprendo a cada manhã
A cada ferida indolor; a cada rodada vencida."
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