dezembro 28, 2009

"A Mágica"



“Em areia fina dissolve-se ilusões.
No horizonte que meus olhos fixa,
faço desejos de voltar a me encontrar.
 



Os enganos vêm como tufão.
Mudam o rumo de sinceras ideias 
e destroem conquistas alcançadas.


Como se reconstruir em meio a
suas próprias ruínas?
Sem fôlego e quase sem saída, não
consigo pensar nas possibilidades
que não cronometrei.

 
As marcas de uma catástrofe não somem
pelas folhas do calendário.
Mas os sonhos vivos na alma é que fazem
a mágica ressurgir.
Um novo eu amanhecer.”

novembro 20, 2009

"De ponta cabeça"

 
"Em minha mente sempre será 
simples assim.
Você me trará as alegrias 
de vindouros dias, e fará promessas
imediatas, atrevidas.




Nossos corpos que vivem em
mundos distantes, num breve 
imaginar de possibilidades 
se unem para traçar vida, amor e paz.
Esta nunca me quis desde que me vi inteiramente
à mercê de teus convincentes desejos.

E tua presença fez meu mundo girar
por todos lados possíveis. De ponta cabeça,
vi como tudo ainda se encaixava.
Eu e você realmente era real, acessível.

Nessa estrada que fez você bater
na minha porta por tantas vezes,
eu ainda sinto o pavor de que ela
finalmente se feche para nós dois.

Mas, como o catalisador de almas
apaixonadas é o amor em seu estado puro,
não temerei por ventos fortes.

Nossa morada existe.
Lá eu sinto o cheiro das flores em seu sorriso
e me refresco no sabor de um prazer
que nasce sem qualquer calmaria.
Prazer que reflete você 
ao meu lado por toda eternidade.

Em meu coração sempre será simples assim.”


setembro 30, 2009

"À Procura"




“Em exaustivos momentos, me
lembro de ter continuado a
olhar para o oposto de mim.
 



Sem bote salva-vidas,
resolvi não saber em qual dos
naufrágios me deixei cair.
 

Afoguei lentamente meus
pensamentos inquietantes, pois
estes estavam à procura de
um lugar seguro no qual eu não
podia mais ofertar.

Não me permiti sair de tuas
vestes e escorreguei meus medos
nas expressões de tua face.
Abracei você de um jeito
certo mas não pude eternizá-lo,
pois minha fonte de água agora se
faz turva e não posso mais fingir
ter planos e ignorar teus calafrios.

Qualquer angústia que tua falta me
cause será necessária para minha
sobrevivência, porque se difícil é
viver sem amor, sem coerência seria
me arriscar por algo que não tem
mais valor.

Deixemos o acaso nos perseguir
novamente, num tempo em que eu
voltar a ser eu e você não ser mais você.”

agosto 06, 2009

"Rastro"



“O que houve de errado na forma
como pensávamos no passado?
Agora nenhuma reflexão é o
suficiente para entender as curvas
que esse caminho nos deixou...
À beira da loucura, diante dos
ponteiros do relógio que não seguem mais...
Se estagnaram igual a nossas almas,
implorando por uma salvação,
talvez mais uma chance.
Quem sabe as dúvidas ainda não surgirão
para causar rachaduras e fazer com
que nossos corações se desmoronem?
Estes não sabem mais como desferir,
como se ressurgir...
Tentam resgatar-nos de nós mesmos.
Estamos inundados até o
pescoço e não há o que fazer.
Apenas aguardar a maré
de tantos desencontros baixar e ver
como a fé de nosso sentimento poderá
nos libertar...
Um do outro, mas sempre a deixar um
rastro que persiste e não
desfaz um verdadeiro amor,
fixando assim perpétuo, intacto.
Ainda iremos nos vasculhar novamente e
ver que nada mudou, nem mesmo
a forma como discordávamos sobre o tempo.
Porque sabemos que isso não é o
mais importante e, sim o jeito como
inventamos o nosso futuro.
Nada estará completo.
Haverá sempre uma vírgula, um suspiro,
um até logo, um estrondo para nos unir.
Contudo, estar preparada para nos conhecer é o
que me fará acreditar nas descobertas
que não consigo compreender,
mas que afago sempre fora de mim
Dentro de você.”

julho 12, 2009

"Círculo de Amor"



"Gestos sinuosos em pele sobre o sol,
aqui estou eu a me queimar na tua presença.
Você, com ares de viajante, leva
a solidão que me cerca, e deixa apenas
o escorrer de momentos em que estive sob
o reflexo de seu ardente olhar.

Em dias trocados de amores controversos,
sempre pude te imaginar do lado de fora
da minha janela, envolto com seu perfil
de amante apaixonado, dispersando
súplicas pelo jardim por ansiar ver minha chegada.

A noite, saio a suspirar pela sua vinda e,

com olfato treinado, corro para capturar
cada rastro seu, cada fascínio meu.
Talvez, estando debaixo de Lua, eu consiga
entender este caso que foge pelas mãos e
me transporta repetidas vezes para
outras constelações...
Inesperados reencontros.

De madrugada é que se estão a velar segredos,

e eu não tenho muito para contar...
Minhas palavras já foram soltas ao vento e
não às pude conter dentro de nosso círculo
de amor, mesmo estando eu presa em tudo
aquilo que você conseguiu se tornar para mim.

Volte a dormir meu bem, pois paixões

estão a lhe embalar dentro de nosso
inesquecível sonho.
Não acordes para não me ver ir,
porque esta paixão será sempre assim.
Rica em detalhes que nos uniu...
E pobre no tempo em que não se consumiu.” 

junho 19, 2009

"No Palco"


"Sem plumas nos cabelos ou sapatilhas desgastadas,
Estico pernas numa cadeira para alcançar o mundo.
Apesar de fôlego escasso e lábios secos,
venho para preservar sobre o céu da minha
boca a luz que não vejo...
Sim, minha eterna dispersão.
Sem saia rodada ou giro exuberante,
faço meu contorno em cima de palcos distorcidos.
Porém, os cisnes já estão no lago e eu
não deixarei de contar meus saltos...
Sim, minha suntuosa convicção.

Sem gestos suaves ou imagem esplendorosa,
penso nos passos que embalaram decisões.
E, quando tudo se encerrar, estarei eu
a descansar meus dedos, meus medos...
Sim, minha imperfeita dominação.

Sem suspiros ou aplausos,
continuo a deslizar sobre tacos de madeira.
E, com acrobacias de sobrevivência,
vou à procura do espetáculo final...
meu sincero cumprimento.
Sim, minha vida em expansão."


junho 09, 2009

"Saio a Voar!"



“Saio e me deixo dentro de tuas lembranças.
Como em passos largos, vejo as noites que
não tive, os sentimentos que não despertei.
E tudo se revela por detrás de um véu
que cobria os olhos de inevitável verdade.

No meio de círculos eu estive,
sempre no mesmo ponto.
Com você foi diferente, pois
sua corrida era muito veloz para meus
pretensiosos pés.
Não podia alcançar, porque você nunca
desejou de fato parar.
Parar de fingir, de confundir, de sumir.

Hoje não estou presa ao seu calcanhar.
Estou por cima da tua cabeça.
Pisando em cima de tuas ambíguas palavras.
Rindo das tuas suposições sobre mim.
Você não pode me conhecer.
Não o fez quando ainda existia um dia
para nós dois,
tão pouco o fará dentro de nosso
apocalipse mal acabado.

Saio e me deixo dentro das tuas lembranças.
Caio de um sonho incompleto, imperfeito;

Jamais insubstituível.
Pois como não substituir algo que nunca
aconteceu?
Não vou esquecer o que vivi e não vivi.
Só isso tenho para balbuciar diante de
tanto tudo e nada que me ligou a você.

Quer seguir por aí e voar?
Vá sem pressa...
Fique tranqüilo como sempre.
Eu saí lembra-se?
Espero com muito afinco que nos
meus longos vôos à fora,
minha rota nunca mais atravesse a sua,
pois agora foi você quem saiu.

Saiu enfim de dentro de mim.”