junho 19, 2009

"No Palco"


"Sem plumas nos cabelos ou sapatilhas desgastadas,
Estico pernas numa cadeira para alcançar o mundo.
Apesar de fôlego escasso e lábios secos,
venho para preservar sobre o céu da minha
boca a luz que não vejo...
Sim, minha eterna dispersão.
Sem saia rodada ou giro exuberante,
faço meu contorno em cima de palcos distorcidos.
Porém, os cisnes já estão no lago e eu
não deixarei de contar meus saltos...
Sim, minha suntuosa convicção.

Sem gestos suaves ou imagem esplendorosa,
penso nos passos que embalaram decisões.
E, quando tudo se encerrar, estarei eu
a descansar meus dedos, meus medos...
Sim, minha imperfeita dominação.

Sem suspiros ou aplausos,
continuo a deslizar sobre tacos de madeira.
E, com acrobacias de sobrevivência,
vou à procura do espetáculo final...
meu sincero cumprimento.
Sim, minha vida em expansão."


junho 09, 2009

"Saio a Voar!"



“Saio e me deixo dentro de tuas lembranças.
Como em passos largos, vejo as noites que
não tive, os sentimentos que não despertei.
E tudo se revela por detrás de um véu
que cobria os olhos de inevitável verdade.

No meio de círculos eu estive,
sempre no mesmo ponto.
Com você foi diferente, pois
sua corrida era muito veloz para meus
pretensiosos pés.
Não podia alcançar, porque você nunca
desejou de fato parar.
Parar de fingir, de confundir, de sumir.

Hoje não estou presa ao seu calcanhar.
Estou por cima da tua cabeça.
Pisando em cima de tuas ambíguas palavras.
Rindo das tuas suposições sobre mim.
Você não pode me conhecer.
Não o fez quando ainda existia um dia
para nós dois,
tão pouco o fará dentro de nosso
apocalipse mal acabado.

Saio e me deixo dentro das tuas lembranças.
Caio de um sonho incompleto, imperfeito;

Jamais insubstituível.
Pois como não substituir algo que nunca
aconteceu?
Não vou esquecer o que vivi e não vivi.
Só isso tenho para balbuciar diante de
tanto tudo e nada que me ligou a você.

Quer seguir por aí e voar?
Vá sem pressa...
Fique tranqüilo como sempre.
Eu saí lembra-se?
Espero com muito afinco que nos
meus longos vôos à fora,
minha rota nunca mais atravesse a sua,
pois agora foi você quem saiu.

Saiu enfim de dentro de mim.”

abril 28, 2009

"Não Racionalizo"


"Na delicadeza, uma força latente firma sentimentos.
No combate de paixões tempestuosas,
eu sinto minha perseverança.
Estrondoso, pertubador,
exuberante, espetacular.

Frágil, ingênuo, constante, suave.
Palavras não podem sentir o calor de um olhar...

Sensações se chocam em ritmo acelerado.
Confirmando apenas a dimensão de se estar apaixonado.
Não posso racionalizar em cálculos algo tão
sem início e fim como
um significativo grande amor.

Não há estatísticas.
Apenas probabilidades criadas

dentro de um coração cheio de porquês.
Que vive na reprise de dias e
se refugia
em sua própria força para
não morrer fora das expectativas.

Mas minha esperança estará sempre segura
no local em
que se encontrar teu incerto coração.

E esta seguirá sem correr e nem fugir.
Apenas cumprirá com seu caminho.
Estarei sempre a procura de tuas pegadas,

para prosseguir lado a lado.
Você sempre será meus pés,
minhas mãos, meu coração,
minha razão, meu desespero,
meu desapego, minha solidão.


Contudo, repito, palavras não podem
sentir o calor de um olhar...

Por isso, não falo,
não racionalizo
mais nehum diâmetro
de nossa relação.

Vou me desprender e viver.
Mas, sempre a observar
meu confuso, porém certo, amor por você."

abril 07, 2009

"Papel em Branco"



"Sentimento inflamável.
Queima esperança já carbonizada.
Entre as pilhas de sonhos guardados
lá está você, intocável, na penumbra
de sorrisos perdidos e do descaso inconfessado.


Como registros em paredes,
estão os olhares perplexos de saudade
que aguardaram ver tua fisionomia.
E, sobre a mesa ainda persistem aquelas
perguntas sem resposta, que não desabrocharam
a ponto de revelar qualquer controvertido desespero.

Correndo contra o relógio,
o sol insiste em nascer.
Seu brilho enforcou planos já sofocados
pela curta perspectiva de vida.
Adoeceram com um rancor forjado e
deixou à mostra apenas a cicatriz de um amor idealizado.

Se todos estes sinais remetem a insinuação
de um fim, que assim seja.
Por certo será o fim...
do descompasso de pensamentos inundados
pela tua presente ausência.

E, a mil pés de altitude, voarei por
cima de lembranças desfocadas.
Me arriscarei para possuir uma
felicidade sem rascunhos.
Desejarei uma segunda chance
igual a um papel em branco.
Nele, escreverei que nos perdoar
deve constar na primeira linha deste
novo ciclo que se revela e que
seguir em frente não pode apenas
ser uma nota ao pé da página, pois permitir-se
viver é o início do verdadeiro encontro:
Aquele que fazemos conosco mesmo."

abril 02, 2009

"Abra teus olhos"


"Quando você abaixa teus olhos,
meu coração faz uma contagem silenciosa,
no qual, aos poucos, sinto como é frio o lar das tuas incertezas.
Se ao menos deixasse uma porta aberta
para o meu calor poder consumir teus enganos.

Reflita meu bem...
Ninguém pode se esconder de si mesmo.
Ninguém pode comprimir sentimentos
com a veráz força da fuga e da ilusão,
pois como correr daquilo que não
compreendemos?

Ouse libertar-se deste apático e perfeito
cartão postal do qual não conseguiu viver e,
venha ao meu encontro, pois sabe que por
um sorriso seu, eu estou em qualquer lugar.
E, quando me avistar, estarei vestida de
esperança, com um pouco de felicidade
nas mãos e calçada com meu velho
amor incondicional de sempre.

Agora, abra teus olhos e me veja,
me segure e me ame sem questionar,
pois a certeza de se amar vem da
segurança de se estar nos braços certos,
no qual a partir de então o teu antigo mundo
se apagará e o meu mundo te iluminará.
E, mesmo que isto possa parecer atordoador e
osfuscante, eu faço um pedido:
Nunca feche teus olhos para mim!"
 

março 19, 2009

"Razão de Viver"



"Tua imagem extingüe meus medos e,
em cenário que varia de calmo a bicolor,
penso nas separações que não suportaria ver.
E, ao olhar em volta, observo o espalhar 
de alegrias e sorrisos em outros seres.



Contudo, evito minha inveja por saber
que minha felicidade está guardada nas
alegrias dos teus sorrisos, mas como estes
se tornaram raros de se ver, eu fico a me
completar e a me dividir pelo teu sentimento.

Quem poderá me socorrer deste naufrágio

de incertezas? Apenas aquele que está
a guardar a minha felicidade a sete chaves.
E, adiante vejo a amargura de uma vida
que segue a viver sem mim, visto que eu
decidi esperar pelo que não me espera
e a questionar o sentido do sofrimento.
No qual concluo que, ir e seguir tornou-se
voltar e repetir do meu ponto de vista.

Por isso, aguardo para rever minha inspiração,
minha razão de viver.
Somente deste modo poderei dizer que
meu coração voltou, enfim, a bater."

março 05, 2009

"Laços"


"Ignoro minha liberdade.
Questiono meu desprendimento,
por ainda ver os laços que
estão a adornar minha cabeça.
Laços de amizades, que
se cristalizaram no tempo.
Congelaram saudades.
Marcaram partes do que fui e
hoje nem se quer imaginam
por quais ventos tive
que atravessar para
conseguir, enfim,
voltar a me enxergar.
Atada de diversas formas,
já tive pulsos feridos por laços
viciosos de quem queria
se livrar de mim.
Mas, no final, certamente
fui eu a pagar minha
própria alforria.
E, ao olhar pra trás e ver
que minha liberdade
teve muitos preços,
alegro-me na certeza de
que nenhum deles foi
alto o bastante para me
fazer desistir de voar
ou baixo demais, a ponto
de me fazer perder o
rumo de continuar a buscar.
Buscar pelas minhas
convicções.
Estas sim, podem vir
a se tornar indestrutíveis.
Tudo dependerá sempre
do nó que conferimos
as nossas verdadeiras
motivações.
Do tamanho do laço que
damos aos nossos sonhos
e do adeus saudoso que
ofertamos àqueles velhos
elos que não nos
transpassam mais.
Assim são os laços...
Assim somos nós."