
"Sem plumas nos cabelos ou sapatilhas desgastadas,
Estico pernas numa cadeira para alcançar o mundo.
Apesar de fôlego escasso e lábios secos,
venho para preservar sobre o céu da minha
boca a luz que não vejo...
Sim, minha eterna dispersão.
Sem saia rodada ou giro exuberante,
faço meu contorno em cima de palcos distorcidos.
Porém, os cisnes já estão no lago e eu
não deixarei de contar meus saltos...
Sim, minha suntuosa convicção.
Sem gestos suaves ou imagem esplendorosa,
penso nos passos que embalaram decisões.
E, quando tudo se encerrar, estarei eu
a descansar meus dedos, meus medos...
Sim, minha imperfeita dominação.
Sem suspiros ou aplausos,
continuo a deslizar sobre tacos de madeira.
E, com acrobacias de sobrevivência,
vou à procura do espetáculo final...
meu sincero cumprimento.
Sim, minha vida em expansão."





